Acreditar em si mesmo

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sexta-feira, 21 de julho de 2017

10 coisas que aprendi namorando um cadeirante.



10 coisas que aprendi namorando um cadeirante



Gostei tanto do post da Cris, sobre 10 coisas que ela mais odeia em ser cadeirante, que resolvi entrar na onda e começar a fazer minhas listinhas.

Depois que conheci o Dado, muita coisa mudou na minha visão de mundo e achei que seria bacana começar listando as 10 coisas que aprendi com minha relação com um cadeirante.

Será que alguém vai se identificar?

Cadeirantes fazem sexo.

Sim meus caros leitores.

Eu também tinha esse tipo de dúvida.

O que a falta de informação não nos faz imaginar, não é mesmo?

Pois bem, descobri que cadeirantes transam, sentem tesão e gostam de sexo como qualquer pessoa.

Cadeirantes dirigem

Nada que a tecnologia não resolva.

Carros são máquinas e máquinas podem ser modificadas e adaptadas.

Quem dirige com os pés também pode dirigir com as mãos.

E é assim que a coisa funciona.

Banheiros reservados só devem ser usados por pessoas sem deficiência em casos de muita urgência

Pois é, galerinha, eu era do tipo que adorava usar um banheiro reservado para pessoas com deficiência.

Tão grande, tão espaçoso, dá até pra dançar lá dentro!

(Sim, eu já fiz isso :P).

Mas não foi difícil entender que devemos respeitar a finalidade das cabines maiores e deixá-las livres e limpas para aqueles que mesmo querendo, não conseguem entrar numa cabine menor.

Pessoas com deficiência podem ser bastante independentes

Quando conheci o Dado, ele morava com os pais.

Meu primeiro pensamento foi: “bom, ele deve precisar de ajuda no dia-a-dia e por isso ainda mora com eles.”

Claro que não.

As pessoas com deficiência são muito mais independentes do que imaginamos, mais até do que muito “andante” que conhecemos.

Não demorou pra sacar que ele só não tinha saído da casa dos pais ainda, por falta de oportunidade.

Vagas reservadas são reservadas.

Mas não pra mim

Não me lembro de ter estacionado em alguma vaga reservada antes de conhecer o Dado, mas também nunca tinha parado pra pensar que o tamanho e a localização dessas vagas tinha uma razão de ser.

Precisam ser largas, pra pessoa conseguir sair do carro com a cadeira de rodas e geralmente estão mais próximas da entrada do estabelecimento, pra que a pessoa não tenha que andar muito.

Afinal andar de cadeira de rodas ou mesmo muletas cansa pra caramba.

Já experimentou?

Pessoas com deficiência usam os mesmos móveis que todo mundo

Sim, caros leitores, cadeirantes costumam passar da cadeira pro sofá, pra cama, pra poltrona.

Não é porque eles estão sempre sentados, que não tem vontade de trocar de lugar vez em quando, né?

Um cadeirante pode dizer:

“Vou andar na praia”

Lembro-me bem da minha reação a primeira vez que escutei o Dado falando:

“Vou andar na praia mais tarde”.

Achei esquisitíssimo um cadeirante dizer que ia andar.

Eu mesma evitava usar essa palavra perto do Dado, como se fosse uma ofensa ou um soco no seu estômago.

Bobagem, bobagem!

“Andar na praia” é só uma expressão, assim como “Vou dar uma corrida até a padaria” ou “vou a pé para o trabalho”.

Não é só porque a pessoa não anda de verdade que precisa começar a usar outras palavras, pra falar sobre ações do nosso cotidiano.

Um ou dois degraus podem ser um grande obstáculo

No início do nosso namoro, eu achava uma besteira o Dado não querer ir a algum lugar que tivesse escada.

Na minha cabeça era simples: bastava pedir ajuda a algum galalau forte.

Com o tempo entendi que pode ser bastante chato, constrangedor e até mesmo perigoso ficar subindo e descendo escada no colo dos outros.

Sem falar que é um direito das pessoas com deficiência terem acesso aos lugares.

Parei de pensar assim e hoje sou partidária de frequentar locais acessíveis.

Adaptar um banheiro ou mesmo um apartamento é mais simples e mais barato do que parece

É lógico que espaço se faz necessário.

Cadeiras de rodas costumam ser um pouco mais largas que uma pessoa e também dificultam algumas manobras.

Mas tendo-se o espaço necessário, alargar portas e colocar algumas barras já é o suficiente para se adaptar um lugar.

Volta e meia me perguntam quais as adaptações que fizemos no nosso apartamento e explico que foram poucas.

Alargamos algumas portas e baixamos cerca de 5 cm a altura de pias e bancadas.

Deixar as pias vazadas, sem armários embaixo também ajuda um bocado.

O resto fica por conta da altura onde guardamos as coisas nos armários.

E por último e talvez mais importante, cadeirantes trabalham, tem vida social, namoram, casam e tem filhos.

Ou seja, são pessoas como outras quaisquer, com os mesmo direitos de deveres.

O que faz das pessoas com deficiência diferentes, é o olhar da sociedade sobre elas.

E é isso que precisamos mudar.


Fonte: - maonarodablog.com.br





Uma cadeira de rodas em minha vida...



Faty Oliveira.


Lá está ela: quatro rodas de tamanhos diferentes e um assento.

Se dedicar alguns minutos para refletir, perceberá a quantidade de pensamentos que podemos ter em relação a cadeira de rodas.

Algumas são simples, outras modernas e sofisticadas.

Podem ser surradas pelo tempo ou história, mas podem impressionar pelo mais perfeito estado de conservação.

Pra uns, uma das mais nobres invenções da humanidade, pra outros a sentença de um terrível mal.

Muita gente tem dificuldade de se adaptar a cadeira de rodas e isso independe de tempo de uso como muitos podem pensar.

A resistência está muito mais relacionado ao quê o objeto representa do que sua necessidade de uso.

Levei longos anos e algumas sessões de terapia para lidar bem com minhas rodinhas.

Hoje fizemos as pazes e nem me importo de dividir o espaço com ela nas diversas fotos que gosto de tirar ou aos lugares que pretendo visitar.

Compreendi sua função e representação na minha história.

Por isso, a vejo como a amiga que sempre foi.

Mas por que tivemos esse impasse?

Aliás, quais são as razões de tantas pessoas não se adaptarem a essa nova realidade de vida?

A resposta está no dia a dia.

Tudo converge para uma visão negativa ao mundo com deficiência.

É a cidade sem acessibilidade, são as pessoas preconceituosas, é o mercado de trabalho que reduz as competências do profissional em função de suas especificidades físicas, é a mídia que pune aquele vilão da novela com um acidente que o tornará paraplégico, a família que super protege, os amigos que desaparecem porque ficou mais “complicado” de te chamar pra sair por causa dos lugares que frequentam já que a cidade não tem acessibilidade...

E voltamos nesse looping de motivos que atormentam a mente do cadeirante seja ele novato ou veterano.

Dificuldades na vida todos temos, é claro!

Mas quando seus problemas ocorrem devido o desenrolar dos fatos ou, como alguns preferem, por causa do destino se torna compreensível e, talvez, mais fácil de lidar.

Entretanto, quando observa essa terrível mão sobre si e aquela sufocante sensação de resígnação, aí meu camarada é (com o perdão da palavra) f#*& de lidar.

Os que se entregam a depressão, levam uma vida difícil e amarga se auto destruindo dia após dia por não pertencer aos padrões.

Entretanto, a maioria busca um jeito de viver seja por coexistência pacífica (algo tipo “ok cadeira, não gosto de você, mas vou te tolerar) ou por amor total.

O que todos precisamos entender é que não importa como você se locomove, fala, vê ou escuta.

O que nos define são nossas ações.

É a maneira que lidamos com as pessoas e, principalmente, com quem somos.

Entender isso te fará enxergar sua cadeira como uma aliada, algo fundamental para “ir e vir” aonde desejar.

Que tal começar a fazer as pazes hoje?

Deixe sua cadeira com a sua cara.

Cole uns adesivos, mude as rodas, faça algumas adaptações e mostre ao mundo a pessoa maravilhosa e “super chique” que pode ser.

Se já fez isso, mande uma foto pra gente, será muito divertido compartilhar isso com os outros.


Fonte: - cantinhodoscadeirantes.com.br



Obstáculos nas ruas dificultam a vida de cadeirantes e deficientes visuais


Em várias cidades, "armadilhas" que podem levar a acidentes prejudicam os portadores de necessidades especiais e também idosos e ciclistas.


A mobilidade urbana é tema de reclamações em todo o Brasil.

Além dos congestionamentos e problemas no transporte público, muitos obstáculos são encontrados no caminho dos motoristas e pedestres.

Normalmente, eles são resultado de obras de empresas diferentes que deixam verdadeiras armadilhas para a população.

São empresas que prestam serviços para a prefeitura ou também, mesmo os órgãos públicos, que não se conversam.

Fazem obras de qualquer jeito, para cumprir prazos, e o resultado é um gasto duplo: com a obra e com o conserto.

Sem falar no risco para a população.

As rampas deveriam facilitar a vida de quem anda de cadeira de rodas, mas em Iguaraçu, no Paraná, não é bem assim.

Tem rampa que leva a um muro, a uma entrada de veículos.

“Se a gente for olhar, não tem serventia para o cadeirante estar transitando nessas rampas”, declara Roberto Mariano, operador de máquinas.

Com rampas desse jeito, quem precisa delas acaba seguindo pelas ruas.

Já em Fortaleza os  ciclistas sofrem com obstáculos nas ciclovias.

Árvores e tijolos atrapalham.

A prefeitura informou que planeja padronizar as ciclovias na cidade para que os ciclistas possam pedalar sem precisar fazer desvios.

Em um bairro de Goiânia, 15 postes estão no caminho dos moradores e enquanto não forem retirados de lá, o asfalto não será feito.

Em São Luís, é preciso ainda mais atenção no trânsito.

Em algumas avenidas só há semáforo em um dos sentidos da pista.

Há calçadas em São Paulo com um piso especial para ajudar na locomoção dos deficientes visuais.

Mas em um trecho o traçado leva a uma mureta.

Nós pedimos para Leonardo Leison, que é deficiente visual, para testar o piso e ver o que ele acha.

Caminhou bem até se deparar com a mureta.

“É uma situação complicada, né?

Se eu não tivesse experiência, não fosse ‘macaco velho’, como dizem, poderia ter tropeçado ou pensar que era uma esquina, ficar sem entender nada”, diz.

Para o especialista João Álvaro de Moraes Felipe, Professor de Orientação e Mobilidade, a obra é inadequada:

“No mínimo um equívoco grande aí, porque para algumas pessoas com deficiência visual, pode ser que eles consigam tirar de letra essa situação, mas tem tantos outros que poderão até sofrer um acidente se não tomarem cuidado.

Vai ser uma situação não previsível por ele, vai ser surpreendido por esse desvio e para uma mureta”, diz.

A prefeitura de São Luís, onde só tem semáforo de um lado da rua, disse que está providenciando os reparos.

Em Iguaraçu (PR), a prefeitura pagou R$ 143 mil para a empresa que fez as rampas para deficientes e informou que deve levar o caso à Justiça para ser ressarcida pelos prejuízos.

Em São Paulo, sobre a faixa para os cegos, a subprefeitura de Pinheiros afirmou que o piso tátil está em conformidade com as normas que tratam do assunto, mas disse que os técnicos vão ao local fazer uma nova vistoria.


Fonte: - g1.globo.com













terça-feira, 18 de julho de 2017

Você imagina como é a vida de um cadeirante?




VOCÊ IMAGINA COMO É A VIDA DE UM CADEIRANTE? 

HOJE CONTO MINHA HISTÓRIA PESSOAL


A maioria das pessoas ditas “normais”, ou seja, que não tem nenhum tipo de deficiência física ou não usa cadeira de rodas, talvez nunca tenha tido contato com esse tipo de gente.

Entretanto as dificuldades enfrentadas por nós, (sou cadeirante) são muitas, principalmente em um país como o Brasil.

Isso pode ser notado em situações que teoricamente não são complicadas de serem resolvidas, é só uma questão de sensibilidade e boa vontade.

Na cidade de São Paulo, por exemplo, calçadas mal feitas e  transporte público deficitário são algumas das dificuldades encontradas por quem tem como companheira de vida uma cadeira de rodas.

É importante lembrar que os cadeirantes e outras categorias de deficientes existem e devem ser sempre considerados e apoiados pelo governo federal que poderia traduzir esse apoio efetivo através dos estados e prefeituras.

Não vou dizer aqui o que deve ser feito em cada local, mas no mínimo um estudo sobre a população deficiente deveria ser realizado por autoridades e órgãos competentes, com o intuito de mapear o público de necessitados, a fim de direcionar os tipos de reformas que devem ser realizadas em cada lugar.

Além disso responsabilizar-se pela manutenção e adequação permanente da acessibilidade.

Resguardar e favorecer o direito de ir e vir do deficiente com segurança.

Criar uma ouvidoria que atenda efetivamente todo o país para verificar casos particulares, já que cada pessoa tem suas dificuldades, e naturalmente deve ter a quem recorrer caso precise de ajuda.

Essas são apenas sugestões.


Graças a Deus, nasci em uma família que sempre me deu todo o apoio (fato que muitas vezes não é visto).

Tive paralisia cerebral, mas minha parte cognitiva não foi afetada, o que me possibilitou estudar normalmente tanto na escola, onde contei com a ajuda de pessoas incríveis com as quais mantenho amizade até hoje, quanto na faculdade onde me formei jornalista, em 2007 na UniFIAMFAAM, que fica na região do Morumbi.

Sobre as dificuldades que enfrento ou enfrentei, talvez pelo carinho diário que recebo da família, nem as percebo muito, mas a questão é que elas existem.

A falta de acessibilidade para chegar aos locais é notória e instalações adequadas também.

Cada vez que vou sair é uma situação complicada para buscar locais viáveis para cadeira de rodas.

Isso sem falar dos gastos adicionais que um deficiente tem por conta de seu problema eles são infindáveis.


Embora existam leis para os deficientes, na minha visão elas são falhas e tem muito o que melhorar.

Falando especificamente de minha situação como cadeirante, fui a várias grandes empresas, e raramente, para não dizer nunca, vi um cadeirante desempenhando seu trabalho, isso não é uma coincidência, tampouco um caso de um lugar único.

Parece que as empresas estão perdidas com as novas leis não sabendo se adaptar a essa realidade, ou preferem negligenciar o universo de que os deficientes fazem parte.

Na verdade, há uma forte desconsideração.

Não reclamo de nada na minha vida, mas essa situação não pode ser vista com frieza e descaso.

Cada caso deve ser enxergado com o devido carinho e responsabilidade que merece.

Estamos apenas engatinhando neste tema, ainda falta acolhimento, consciência social e proatividade.


Até mais, Gabriel Ábalos


Fonte: - brasilaromaticos.com.br
 


Ser cadeirante:

 A minha história de vida



Eu não sou muita boa em escrever histórias, principalmente sobre a minha vida, mas recentemente conheci a Carol, do Cantinho dos Cadeirantes e ela me pediu pra contar minha história de vida no blog dela.

Escrevi com o coração e vim compartilhar aqui também, pra vocês conhecerem um pouquinho mais sobre mim!!

 

Tudo começou quando eu era bem pequenininha, por volta de uns 3 aninhos de idade.

Foi quando meus pais perceberam que eu estava andando com a ponta dos pés e com um pouco de dificuldade.

Então eles me levaram na UNICAMP e lá fui diagnosticada com Amiotrofia Espinhal.

O diagnóstico foi fácil, já que tenho um irmão mais velho que já havia sido diagnosticado com essa doença.

Quando descobriram a doença do meu irmão, os médicos da UNICAMP disseram que se o próximo filho fosse menina, não teria problema nenhum.

Não foi o que aconteceu.. rs

Bom, sempre vivi a minha vida da melhor maneira possível, a Amiotrofia nunca foi um problema de verdade pra mim, pois eu já havia me acostumado a viver assim.

A minha doença se estabilizou e eu continuei andando (com um pouco de dificuldade) até os 11 pra 12 anos.

Nessa época aconteceram várias coisas na minha vida e uma delas foi a minha mudança de cidade.

Não sei se foi apenas coincidência, mas isso me fez piorar muito!

Passei a andar com mais dificuldade ainda e apenas com o apoio de alguém e foi assim que fui pra minha escola nova todos os dias, me apoiando no meu pai.

Era horrível, pois eu não tinha liberdade nenhuma na escola, eu ficava apenas na sala de aula e não saía nem pro intervalo.

Também não fui muito feliz nessa escola, além dos professores e diretores, os alunos eram muito preconceituosos, a ponto de eu ter que escutar perguntas do tipo:

“Sua doença é contagiosa”?

Depois de 2 anos estudando nessa escola, senti que era hora de mudar.

Comecei aceitando a usar a tão temida cadeira de rodas, que eu sinceramente não queria de maneira alguma, mas que só levou uma semana pra me acostumar.

É muito fácil acostumar com o que nos dá liberdade!!

E é claro, mudei de escola!!

Apesar de ainda sofrer preconceitos, fui muito mais feliz nessa escola nova.

Fiz ótimas amizades, que infelizmente hoje não tenho tanto contato.

A vida tem dessas coisas, manda cada um pra um lado e a gente acaba se distanciando.

Me formei e hoje estou no último ano da faculdade de Administração, sou bancária e blogueira de beleza.

Sim, achei que seria legal incentivar as meninas que assim como eu, também são cadeirantes.

E foi aí que surgiu o Make Sobre Rodas. ?

Hoje em dia não vou mais a UNICAMP, acho que cansei de tanta gente querendo apenas me estudar.

Não existe cura para a Amiotrofia espinhal, pelo menos não por enquanto.

Com a medicina avançada como está, eu acredito sim que um dia isso irá ter cura, pode não ser na minha geração, mas sei que um dia vai ter.

Posso imaginar como foi difícil para os meus pais passarem por isso tudo com dois filhos, mas acho que Deus mandou as pessoas certas para serem meus pais.

Eles são maravilhosos e sempre me apoiaram em tudo.

Já passei por muita coisa nessa vida ( e olha que tenho apenas 23 aninhos), mas aprendi que ser cadeirante não me faz ser menos que os “andantes” e aprendi a não desistir nunca dos meus sonhos, por mais difícil que eles pareçam ser.

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Espero que tenham gostado de conhecer mais sobre a minha história!!

Beijos


Fonte: - makesobrerodas.com.br


 








sábado, 15 de julho de 2017

Bullying na escola quando o foco é a deficiência física.



BULLYING CONTRA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA


A violência moral e física contra estudantes com necessidades especiais é uma realidade velada.

Saiba o que fazer para reverter essa situação.


Um ou mais alunos xingam, agridem fisicamente ou isolam um colega, além de colocar apelidos grosseiros.

Esse tipo de perseguição intencional definitivamente não pode ser encarado só como uma brincadeira natural da faixa etária ou como algo banal, a ser ignorado pelo professor.

É muito mais sério do que parece.

Trata-se de bullying.

A situação se torna ainda mais grave quando o alvo é uma criança ou um jovem com algum tipo de deficiência - que nem sempre têm habilidade física ou emocional para lidar com as agressões.

Tais atitudes costumam ser impulsionadas pela falta de conhecimento sobre as deficiências, sejam elas físicas ou intelectuais, e, em boa parte, pelo preconceito trazido de casa.

Em pesquisa recente sobre o tema, realizada com 18 mil estudantes, professores, funcionários e pais, em 501 escolas em todo o Brasil, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) constatou que 96,5% dos entrevistados admitem o preconceito contra pessoas com deficiência.

Colocar em prática ações pedagógicas inclusivas para reverter essa estatística e minar comportamentos violentos e intolerantes é responsabilidade de toda a escola.

Conversar abertamente sobre a deficiência derruba barreiras

Quando a professora Maria de Lourdes Neves da Silva, da EMEF Professora Eliza Rachel Macedo de Souza, na capital paulista, recebeu Gabriel**, a reação dos colegas da 1ª série foi excluir o menino - na época com 9 anos de idade - do convívio com a turma.

"A fisionomia dele assustava as crianças.

Resolvi explicar que o Gabriel sofreu má-formação ainda na barriga da mãe.

Falamos sobre isso numa roda de conversa com todos (leia no quadro abaixo outros encaminhamentos para o problema).

Eles ficaram curiosos e fizeram perguntas ao colega sobre o cotidiano dele.

Depois de tudo esclarecido, os pequenos deixaram de sentir medo", conta.

Hoje, com 13 anos, Gabriel continua na escola e estuda na turma da professora Maria do Carmo Fernandes da Silva.

"A exclusão é uma forma de bullying e deve ser combatida com o trabalho de toda a equipe", afirma.

De fato, um bom trabalho para reverter situações de violência passa pela abordagem clara e direta do que é a deficiência.

De acordo com a psicóloga Sônia Casarin, diretora do S.O.S. Down - Serviço de Orientação sobre Síndrome de Down, em São Paulo, é normal os alunos reagirem negativamente diante de uma situação desconhecida.

Cabe ao professor estabelecer limites para essas reações e buscar erradicá-las não pela imposição, mas por meio da conscientização e do esclarecimento.

Não se trata de estabelecer vítimas e culpados quando o assunto é o bullying.

Isso só reforça uma situação polarizada e não ajuda em nada a resolução dos conflitos.

Melhor do que apenas culpar um aluno e vitimizar o outro é desatar os nós da tensão por meio do diálogo.

Esse, aliás, deve extrapolar os limites da sala de aula, pois a violência moral nem sempre fica restrita a ela.

O Anexo Eustáquio Júnio Matosinhos, ligado à EM Newton Amaral Franco, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, encontrou no diálogo coletivo a solução para uma situação provocada por pais de alunos.

Este ano, a escola recebeu uma criança de 4 anos com deficiência intelectual e os pais dos coleguinhas de turma foram até a Secretaria de Educação pedir que o menino fosse transferido.

A vice-diretora, Leila Dóris Pires, conta que a solução foi fazer uma reunião com todos eles.

"Convidamos o diretor de inclusão da secretaria e um ativista social cadeirante para discutir a questão com esses pais.

Muitos nem sabiam o que era esse conceito.

A atitude deles foi motivada por total falta de informação e, depois da reunião, a postura mudou."

Seis soluções práticas

Conversar sobre a deficiência do aluno com todos na presença dele.

Adaptar a rotina para facilitar a aprendizagem sempre que necessário.

Chamar os pais e a comunidade para falar de bullying e inclusão.

Exibir filmes e adotar livros em que personagens com deficiência vivenciam contextos positivos.

Focar as habilidades e capacidades de aprendizagem do estudante para integrá-lo à turma.

Elaborar com a escola um projeto de ação e prevenção contra o bullying.

Antecipar o que vai ser estudado dá mais segurança ao aluno

"Passei a adiantar para o José, em cada aula, o conteúdo que seria ensinado na seguinte.

Assim, ele descobria antes o que iria aprender." Maria Aparecida de Sousa Silva Sá, professora do CAIC EMEIEF Antônio Tabosa Rodrigues, em Cajazeiras, PB. Foto: Leonardo Silva

No CAIC EMEIEF Antônio Tabosa Rodrigues, em Cajazeiras, a 460 quilômetros de João Pessoa, a solução para vencer o bullying foi investir, sobretudo, na aprendizagem.

Ao receber José, um garoto de 12 anos com necessidades educacionais especiais, a professora Maria Aparecida de Sousa Silva Sá passou a conviver com a hostilidade crescente da turma de 6ª série contra ele.

"Chamavam o José de doido, o empurravam e o machucavam.

Como ele era apegado à rotina, mentiam para ele, dizendo que a aula acabaria mais cedo. Isso o desestabilizava e o fazia chorar", lembra.

Percebendo que era importante para o garoto saber como o dia seria encaminhado, a professora Maria Aparecida resolveu mudar:

"Passei a adiantar para o José, em cada aula, o conteúdo que seria ensinado na seguinte.

Assim, ele descobria antes o que iria aprender".

Nas aulas seguintes, o aluno, que sempre foi quieto, começou a participar ativamente.

Ao notar que ele era capaz de aprender, a turma passou a respeitá-lo.

"Fiquei emocionada quando os garotos que o excluíam começaram a chamá-lo para fazer trabalhos em grupo", conta.

Depois da intervenção, as agressões cessaram.

"O caminho é focar as habilidades e a capacidade de aprender.

Quando o aluno participa das aulas e das atividades, exercitando seu papel de aprendiz e contribuindo com o grupo, naturalmente ele é valorizado pela turma.

E o bullying, quando não cessa, se reduz drasticamente", analisa Silvana Drago, responsável pela Diretoria de Orientação Técnica - Educação Especial, da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.

Samara Oliboni, psicóloga e autora de tese de mestrado sobre bullying, diz que é preciso pensar a questão de forma integrada.

"O professor deve analisar o meio em que a criança vive, refletir se o projeto pedagógico da escola é inclusivo e repensar até seu próprio comportamento para checar se ele não reforça o preconceito e, consequentemente, o bullying.

Se ele olha a criança pelo viés da incapacidade, como pode querer que os alunos ajam de outra forma?", reflete.

A violência começa em tirar do aluno com deficiência o direito de ser um participante do processo de aprendizagem.

É tarefa dos educadores oferecer um ambiente propício para que todos, especialmente para os que têm deficiência, se desenvolvam.

Com respeito e harmonia.

Os nomes dos alunos foram trocados para preservar a identidade.


Fonte: - Revista Nova Escola / Edição 228 /Dezembro de 2009 / Título original: Chega de Omissão



Bullying na escola: quando o foco é a deficiência física


Atualmente a questão do bullying é, de fato, muito discutida.

E, para se falar nisso, primeiramente, temos que saber o que é, mesmo, esse fenômeno que, na verdade, trata-se, até, de uma polêmica.

Então, para essa necessária conceituação, Cézar e Barros Neta (2011, p. 4) trazem concepções e pressupostos de Fante (2005) e Guareschi (2008), afirmando que o bullying pode ser descrito como:

[...] a forma de violência mais cruel, pois tal nível de agressividade torna suas vítimas reféns da ansiedade e de emoções que interferem negativamente nos seus processos de aprendizagem e convívio social, devido à excessiva mobilização de emoções de medo, de angústia e de raiva reprimida. Isso pode ser decisivo no incentivo à evasão escolar e ao ingresso desses alunos no mundo das drogas e do crime, bem como, formar uma geração de pessoas psicologicamente desestruturadas, que poderão vir a cometer violência doméstica e adotar características antissociais.

E torna-se essencial frisar que, quando o assunto é o bullying, [...] a situação se torna ainda mais grave [...] quando o alvo é uma criança ou um jovem com algum tipo de deficiência - que nem sempre tem habilidade física ou emocional para lidar com as agressões. [...] (NOVA ESCOLA, 2009).

Assim, através desse prisma, o bullying é - ou parece ser - ainda mais facilmente oferecido, mais operante, principalmente quando se trata da Deficiência Física, mesmo que, nesse caso, a prática do referido mal se mostra, realmente, de uma maneira bem disfarçada.

Deficiência Física pode ser proveniente de diversas causas, como condições adquiridas, má-formação congênita, lesões neurológicas e neuromusculares etc., sendo que três de seus principais tipos são a Paraplegia (perda total das funções motoras dos membros inferiores), a Tetraplegia (perda total da função motora dos quatro membros) e a Hemiplegia (perda total das funções motoras de um hemisfério do corpo).

No entanto, outros aspectos da aparência e da condição física são, também, muitas vezes, motivos para chacotas, chateações, gracinhas, dentre outros abusos, para os praticantes do bullying, lembrando que “a violência moral e física contra estudantes com necessidades especiais é uma realidade velada [...]” (Nova Escola, 2009), todavia, nada impede que muitas das vítimas sejam atingidas de modo translúcido, a ponto até de sofrerem algum tipo de agressão.

Aliás, a mídia traz muitos exemplos disso.

O que aqui se coloca enfaticamente é que aquilo que está mais visível torna-se um “prato cheio” para os praticantes do bullying; ou seja, determinados aspectos físicos de alguma deficiência tornam-se esse “prato cheio”.

E, quando os referidos aspectos vêm somados a outros que lhes podem ser intrínsecos, como o comprometimento da fala ou da audição, por exemplo, o mesmo “prato”, ainda é remontado, passando a ser um “prato transbordante”.

Desde os tempos de outrora, até os dias atuais, muitos dos olhares para esses indivíduos parecem ser, fielmente, os mesmos.

O descaso, o desprezo, a aversão perduram, neles, presentes.

E foi lembrado, dessa maneira, de um passado remoto porque as deficiências sempre existiram.

Aliás, “anomalias físicas ou mentais, deformações congênitas, amputações traumáticas, doenças graves e de consequências incapacitantes, sejam elas de natureza transitória ou permanente, são tão antigas quanto a própria humanidade” (SILVA, 1987, p. 21), sendo pertinente enfatizar que, bem antigamente, se uma criança parecia “feia, disforme e franzina”, revelando algum tipo de limitação física, era levada e jogada em um abismo, “pois tinham a opinião de que não era bom nem para a criança nem para a república que ela vivesse, visto que, desde o nascimento, não se mostrava bem constituída para ser forte, sã e rija durante toda a vida” (LICURGO DE PLUTARCO apud SILVA, 1987, p. 105).

Diante dessa tamanha crueldade, é incontestável que, em épocas contemporâneas, ornam mudanças...

Aliás, mudanças muito significativas.

Entretanto, o bullying não acabou e, dificilmente, o verbo “acabar”, em relação ao referido problema, poderá ser empregado na íntegra, afinal, deficientes podem até não estar sendo jogados em abismos, contudo, eles continuam sendo vítimas de olhares que não os veem, apenas, como diferentes, mas, sim, como “desiguais”, inclusive dentro da própria Instituição Escolar que, por sua vez, tanto tem a obrigação de contribuir na promoção da Inclusão Social.

Na verdade, a “diversa diversidade” humana - permitam-me utilizar, digamos, um trocadilho - infelizmente, é motivo para que alguém se sinta ofendido a ponto, até, de praticar severos casos de violência, inclusive, contra alguém que, por alguma limitação física, não tem nem como se defender, ficando nítido, então, que, mesmo diante das tantas mudanças e transformações deste mundo globalizado, determinados aspectos da pluralidade humana ainda não são aceitos.

E, vale lembrar que, sobre isso, existem excelentes palavras que podem ser empregadas em todo o contexto da presente discussão.

São vocábulos de Santos (1995), os quais dizem que [...] “temos o direito a ser iguais quando a diferença nos inferioriza; temos o direito a ser diferentes quando a igualdade nos descaracteriza”.

O significado dessas palavras de Santos (1995) é mais que uma verdade porque, ainda que alguém nos considere inferiores a si por algum “motivo” que para essa tal pessoa passa a ser uma “razão”, temos, mesmo, o direito a ser incluídos naquela igualdade que esse mesmo sujeito busca para si, assim como temos o direito a ser diferentes quando essa igualdade, equivocadamente, passa a nos descaracterizar, sendo que, como exemplo disso, pode-se falar do portador de Necessidades Educativas Especiais (NEE), quando o mesmo esteja na condição de não ser amparado, considerado, respeitado, protegido e atendido, sobretudo na Escola, dentro das suas características e subjetividade, sendo frisado que, de fato, tudo isso deve ocorrer em um clima de Educação Especial, mas que, realmente, esta seja contemplada numa efetiva incorporação ao Sistema Educacional do ensino comum.

Referências
CESAR, Coll; MARCHESI Álvaro; PALACIOS, Jesús & colaboradores. Desenvolvimento psicológico e educação: transtornos de desenvolvimento e necessidades educativas especiais. Trad. Fátima Murad - 2. ed. 3v. Porto Alegre: Artmed, 2004.

CÉZAR, N; BARROS NETA, M. da A. P. O impacto do fenômeno bullying na vida e na aprendizagem de crianças e adolescentes.

LEANDRO, Vera Lucia Damacena. Bullying no ambiente escolar. 2011.

REVISTA Nova Escola. Bullying contra alunos com deficiência / Edição 228/Dezembro de 2009. Título original: Chega de Omissão.

SANTOS, Boaventura de Souza. Entrevista com o Prof. Boaventura de Souza Santos.

Otto Marques da. A Epopéia ignorada - a história da pessoa deficiente no mundo de ontem e de hoje. Centro São Camilo de Desenvolvimento em Administração da Saúde, 1987.


Fonte: - www.portaleducacao.com.br